O comércio online global atingiu 7,4 trilhões de dólares em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, segundo a eMarketer. Mas, para além do crescimento volumétrico, é a própria natureza da experiência de compra que se transforma sob o efeito de duas revoluções tecnológicas convergentes: a entrega autônoma por drones e a integração da inteligência artificial generativa na jornada do cliente. Em 2026, comprar online não é mais o que conhecíamos há apenas dois anos. (Fontes: eMarketer, Statista, McKinsey Digital)
A Amazon deu um passo decisivo em março de 2026 ao lançar seu serviço Prime Air em 15 cidades europeias, incluindo Paris, Londres, Berlim, Madrid e Milão. Os drones MK30, capazes de transportar pacotes com menos de 2,3 quilogramas a uma distância de 24 quilômetros, agora realizam mais de 50.000 entregas por semana na Europa, com um tempo médio de 28 minutos entre o pedido e o recebimento. Na França, a Direção Geral da Aviação Civil (DGAC) autorizou voos comerciais de drones de entrega em áreas urbanas após dois anos de experimentação supervisionada. O Carrefour, em parceria com a startup francesa Delair, está testando um serviço semelhante no setor de grandes supermercados em Toulouse e Bordeaux. (Fontes: Amazon, DGAC, Carrefour, Reuters)
A inteligência artificial generativa redefine a forma como os consumidores descobrem e escolhem os produtos. O Google Shopping integrou o Gemini em sua pesquisa de produtos, permitindo consultas conversacionais como “Encontre-me um vestido de verão de linho para um casamento na Provença, orçamento de 200 euros, que combine com sandálias douradas”. A Amazon implementou o Rufus, seu assistente de IA, em todos os seus mercados europeus: a ferramenta analisa avaliações de clientes, compara especificações técnicas e recomenda alternativas em tempo real. Na França, a Cdiscount lançou o “Meu Conselheiro IA”, um assistente capaz de montar um carrinho completo a partir de uma simples descrição de necessidade. (Fontes: Google, Amazon, Cdiscount, TechCrunch)
O provador virtual, alimentado por visão computacional e realidade aumentada, elimina um dos últimos entraves à compra online: a incerteza sobre o tamanho e o caimento. A Zalando, líder europeia da moda online, implementou uma ferramenta de provador 3D que escaneia o corpo do usuário através da câmera do smartphone e sobrepõe as roupas em tempo real. A taxa de devolução — historicamente a praga do e-commerce têxtil, com média de 30% — caiu 40% nos artigos provados virtualmente. A IKEA, pioneira com seu aplicativo Place, agora permite visualizar toda uma arrumação interior em realidade aumentada, do sofá às luminárias. (Fontes: Zalando, IKEA, Shopify)
Os desafios ambientais e sociais do e-commerce, no entanto, continuam sendo uma preocupação. A explosão das entregas gerou 4,8 bilhões de pacotes na França em 2025, um aumento de 15% em um ano. A pegada de carbono da “última milha” representa 25% das emissões do setor logístico urbano, segundo a ADEME. A resposta passa pela eletrificação das frotas de entrega — a Amazon visa 100% de veículos elétricos na Europa até 2028 —, os pontos de coleta (que reduzem a pegada em 40% em comparação com a entrega em domicílio) e os armários automáticos, cujo número triplicou na França em dois anos. O comércio do futuro será inteligente, instantâneo e — imperativamente — sustentável. (Fontes: ADEME, FEVAD, Amazon Sustainability Report)




