Por pouco, teria completado um ano inteiro à frente do governo. Yulia Svyrydenko, Primeira-ministra ucraniana desde julho de 2025, anunciou domingo a sua demissão, no âmbito de uma remodelação governamental desejada pelo presidente Volodymyr Zelensky. Numa mensagem publicada nas redes sociais, aquela que foi ministra da Economia disse-se «orgulhosa por ter tido a honra de liderar o governo durante um dos períodos mais difíceis da história moderna da Ucrânia».
Uma «viragem estratégica» reivindicada
Foi o próprio Zelensky quem deu o tom da mudança, evocando numa longa mensagem uma «Ucrânia que muda a sua estratégia política». O presidente ucraniano propôs a Svyrydenko que assumisse a liderança de um «novo domínio importante» nas relações de Kiev com um parceiro internacional chave, sem especificar a sua natureza exata. «Cada prioridade de política externa será confiada a uma pessoa com experiência substancial», explicou ele, deixando antever uma remodelação mais ampla do executivo, incluindo entre os responsáveis dos serviços de segurança.
A artífice do acordo sobre minerais estratégicos
Svyrydenko ficou conhecida como a artífice do acordo sobre minerais estratégicos concluído entre Kiev e Washington, um texto visto como uma ferramenta determinante para ancorar duradouramente os interesses americanos à segurança da Ucrânia. A sua nomeação, em julho de 2025, aos 39 anos, já tinha marcado uma vontade de renovação. Esta nova remodelação seria a quarta desde o início da invasão russa, apenas sete meses após uma vaga anterior de demissões provocada por um vasto escândalo de corrupção que levou à saída de onze responsáveis governamentais.
Uma equipa mais próxima do presidente
Na sequência do anúncio, Zelensky multiplicou os encontros com os pilares do seu governo: o ministro do Interior Ihor Klymenko, o ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, o ministro da Energia Denys Shmyhal, bem como o presidente da câmara de Kharkiv Ihor Terekhov. Uma forma de preparar o terreno para uma equipa mais próxima das suas prioridades: assegurar os apoios ocidentais, estabilizar a frente energética e prosseguir as negociações diplomáticas com vista a uma paz que ele qualifica de «justa».
Num cenário de guerra ainda tão feroz
Esta remodelação política desenrola-se num cenário de guerra ainda tão feroz. A Rússia afirma ter atingido os portos de Odessa e de Tchornomorsk na noite de domingo, enquanto Kiev prossegue os seus ataques de drones contra as refinarias e o setor energético russos — uma campanha que Zelensky qualifica de «sanções de longo alcance». Estes ataques ucranianos provocaram uma crise de combustível em várias regiões russas, com escassez de gasolina e racionamento, enquanto Moscovo intensifica os seus bombardeamentos sobre Kiev.
A opinião da redação
Esta remodelação não deve ser lida como um simples episódio da política interna ucraniana: em plena negociação sobre o futuro das relações com Washington, mudar de Primeira-ministra no momento em que se evoca uma reorganização completa da diplomacia ucraniana envia um sinal forte, tanto a Moscovo como aos seus próprios aliados. Resta saber se esta quarta remodelação desde 2022 traduz uma vontade real de renovação, ou se se trata de uma nova jogada de comunicação destinada a tranquilizar parceiros ocidentais cada vez mais impacientes face ao impasse do conflito.
A reter
- Yulia Svyrydenko demite-se menos de um ano após a sua nomeação (julho de 2025).
- Ela tinha negociado o acordo sobre minerais estratégicos com Washington.
- 4.ª remodelação do governo ucraniano desde a invasão russa de 2022.
- Zelensky propõe-lhe um «novo domínio importante» a nível internacional.
- Portos de Odessa e Tchornomorsk atingidos pela Rússia na noite da remodelação.





