O barril de Brent ultrapassou nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, a marca simbólica de 120 dólares, um patamar que não era alcançado desde o pico pós-invasão da Ucrânia em junho de 2022. Na abertura dos mercados europeus, o Brent era negociado a 121,40 dólares, um aumento de 5,2% na sessão, enquanto o WTI americano avançava 4,8% para 117,60 dólares. Esta disparada é diretamente atribuível à conjunção de dois fatores: o fechamento do Estreito de Ormuz desde 28 de fevereiro — que priva o mercado de 17 milhões de barris diários — e a iminente expiração do ultimato de Trump ao Irã, que levanta o temor de destruição das infraestruturas petrolíferas iranianas. (Fonte: Bloomberg, Reuters)

A Agência Internacional de Energia (AIE) convocou uma reunião de emergência dos seus vinte e oito países membros para coordenar uma libertação massiva das reservas estratégicas. De acordo com informações obtidas pelo Financial Times, os Estados Unidos planejam retirar 60 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), já no seu nível mais baixo em quarenta anos. A Europa e o Japão também preparam saques sem precedentes em seus estoques. Mas os analistas do Goldman Sachs estimam que essas medidas não serão suficientes para compensar a perda de oferta se o conflito se intensificar: "Um barril a 150 dólares não é mais um cenário extremo, é uma possibilidade realista a curto prazo." (Fonte: Financial Times, Goldman Sachs)

As consequências para a economia mundial já são palpáveis. A inflação, que havia sido reduzida para menos de 3% na zona do euro no início de 2026, voltou a subir devido ao aumento dos custos de transporte e energia. Os preços do querosene saltaram 40% desde o início do conflito, forçando várias companhias aéreas europeias a aplicar sobretaxas de combustível. Os setores mais intensivos em energia — química, siderurgia, cimento — alertam para riscos de paralisação da produção se os preços do gás natural, indexados em parte ao petróleo, continuarem a subir. (Fonte: Les Échos, Financial Times)

Os países produtores da OPEP+ observam a situação com uma mistura de cautela e oportunismo. A Arábia Saudita, que aumentou sua produção em 500.000 barris por dia para compensar parcialmente a perda iraniana, resiste às pressões americanas por um esforço mais massivo. Riade teme que uma superprodução possa derrubar os preços se um cessar-fogo for rapidamente concluído, deixando o reino com capacidades excedentes não lucrativas. A Rússia, por sua vez, aproveita a situação para renegociar seus contratos de fornecimento com a China e a Índia a preços majorados. (Fonte: CNBC, Reuters)

Para os consumidores, a conta é imediata. Na França, o litro da gasolina sem chumbo 95 ultrapassou a marca de 2,20 euros, seu nível histórico mais alto. Nos Estados Unidos, o galão de gasolina excede 5 dólares na maioria dos estados. O governo francês anunciou uma extensão da indenização por combustível para famílias de baixa renda, enquanto a Alemanha considera um retorno temporário ao "desconto na gasolina" implementado em 2022. Economistas do BCE alertam que a manutenção do Brent acima de 120 dólares por mais de três meses mergulharia a zona do euro em uma recessão técnica. (Fonte: INSEE, BCE, Bloomberg)