Emmanuel Macron foi recebido na sexta-feira, 10 de abril, no Vaticano pelo Papa Leão XIV — o primeiro papa americano da história — para uma audiência privada seguida de um encontro ampliado com as equipes diplomáticas. Este primeiro encontro entre os dois líderes ocorre quase um ano após a eleição surpresa de Robert Francis Prevost ao Trono de Pedro, e em plena guerra no Oriente Médio. Os dois homens compartilham uma "muito forte semelhança de abordagem na diplomacia", segundo um conselheiro do Eliseu citado pelo 20 Minutes.

O conflito israelo-palestino e a guerra no Irã dominaram as trocas. O Papa Leão XIV, que multiplicou os apelos pela paz desde sua eleição, e Emmanuel Macron, que defende uma solução diplomática multilateral, exibiram uma rara convergência de visões entre um chefe de Estado e um soberano pontífice. Macron reiterou a posição francesa em favor de um cessar-fogo duradouro no Golfo e de uma retomada do processo de paz israelo-palestino baseado na solução de dois Estados.

A guerra na Ucrânia também esteve no centro das discussões. O Papa Leão XIV, assim como seu predecessor Francisco, mantém uma linha de diálogo com todas as partes — incluindo Moscou — o que lhe vale por vezes críticas de Kiev e dos países bálticos. Macron, que endureceu sua posição sobre a Rússia ao longo do conflito, encontrou no entanto um terreno comum com o pontífice sobre a necessidade de preparar as condições para uma negociação futura, uma vez estabilizado o equilíbrio de forças militares.

Além da geopolítica, os dois líderes abordaram temas sociais sobre os quais suas posições divergem: a bioética, o fim de vida (cujo projeto de lei está em discussão na Assembleia Nacional francesa) e a inteligência artificial. Sobre a IA, o Vaticano publicou em 2024 um documento apelando a um "uso ético e centrado no ser humano" dessas tecnologias — uma posição que Macron, promotor da IA como motor de crescimento, aborda com mais nuances.

Este encontro insere-se numa longa tradição diplomática entre a França e a Santa Sé. A República Francesa, embora laica, mantém laços históricos com o Vaticano — dispõe inclusive de uma embaixada dedicada, distinta daquela junto à República Italiana. Para Macron, esta visita é também um sinal dirigido ao eleitorado católico francês, num momento em que sua popularidade permanece frágil. Para Leão XIV, receber o presidente francês reforça sua estatura de interlocutor incontornável nas crises mundiais. Fontes: - 20 Minutes: https://www.20minutes.fr/societe/4217554-20260410-tres-forte-similitude-approche-diplomatie-quoi-emmanuel-macron-pape-leon-xiv-vont-parler - Huffington Post: https://www.huffingtonpost.fr/international/article/les-sujets-sur-la-table-pour-la-premiere-rencontre-entre-macron-et-le-pape-leon-xiv-ce-vendredi_262461.html