O Médio Oriente prende a respiração desde 28 de fevereiro de 2026, data em que os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados massivos em território iraniano, desencadeando uma série de retaliações que não cessou desde então. Nesta quarta-feira de manhã, a capital kuwaitiana foi diretamente atingida: o aeroporto internacional, alvo de mísseis balísticos e drones do Irã, sofreu danos significativos. Um civil morreu e vários outros ficaram feridos. A diplomacia kuwaitiana classificou o ataque como um ato de «terrorismo de Estado» visando infraestruturas civis e missões diplomáticas.
O Golfo na linha da frente
O Kuwait não está sozinho. As defesas antimísseis do Bahrein interceptaram três mísseis e vários drones na mesma manhã, segundo o comando geral das forças de defesa do Bahrein. Desde o início do conflito, as monarquias do Golfo pagam o preço de uma guerra que não declararam, reféns de um confronto entre Teerã e Washington do qual esperavam permanecer à margem.
Washington entre dissuasão e negociação
Do lado americano, a postura permanece ambivalente. O Comando Central Americano (CENTCOM) anunciou ter realizado neste fim de semana ataques «defensivos» contra sítios de radar e sistemas de controlo de drones iranianos em Goruk e na ilha de Qeshm — em resposta, disse, à derrubada de um drone MQ-1 americano. Marco Rubio, Secretário de Estado, apresentou-se pessoalmente perante duas comissões senatoriais sucessivas para defender a postura da administração, dizendo-se «otimista» quanto à possibilidade de futuras negociações nucleares com Teerã, embora os mediadores iranianos tenham, segundo algumas fontes, suspendido os contactos.
A arbitragem de Donald Trump
Donald Trump, por sua vez, ainda não decidiu. Pressionado pelos jornalistas, ele usou uma fórmula sibilina: «Fazer a paz ou fazer de outra forma. E a outra forma não é agradável.» Esta quinta-feira, ele deverá anunciar a sua decisão. Entre a pressão do Congresso para uma declaração de guerra formal e os falcões que exigem um ataque decisivo ao programa nuclear iraniano, a Casa Branca navega em águas diplomáticas desconhecidas desde a Guerra do Golfo de 1991.
A estratégia iraniana do limiar
O Irã, por seu lado, oscila entre sinais de negociação e demonstração de força. Teerã anunciou ter visado uma base aérea utilizada durante os ataques americanos, ao mesmo tempo que mantinha abertos canais de mediação por Estados terceiros. A lógica permanece a do braço de ferro: mostrar resistência suficiente para ter peso nas negociações, sem ultrapassar o limiar que provocaria uma resposta esmagadora. Uma estratégia que estava em curso durante as crises anteriores, mas cuja eficácia se mede agora em vidas humanas no Kuwait, nos Emirados, no Bahrein.
A onda de choque na economia mundial
Para os mercados mundiais, o cenário continua a ser o mais temido há meses: um conflito longo, de baixa intensidade mas permanente, que mantém o estreito de Ormuz numa zona de incerteza estrutural. Desde o início do conflito, várias companhias marítimas desviaram os seus navios-tanque, o preço do barril manteve-se em níveis historicamente elevados e várias seguradoras suspenderam as suas coberturas para os trânsitos no Golfo. A economia mundial, já fragilizada por anos de rupturas logísticas pós-pandemia, absorve este novo choque com uma resiliência de fachada que os economistas dificilmente qualificam de outra coisa senão resignação.
A opinião da redação
Tornou-se impossível fingir que esta guerra não está a acontecer. Três meses após os ataques de 28 de fevereiro, a contagem das vítimas civis no Golfo, a sequência de retaliações e a paralisia progressiva do estreito de Ormuz desenham um conflito instalado. A questão já não é saber se estamos em guerra, mas quanto tempo os atores ainda aceitarão calar o seu nome. Trump terá de decidir: selar um acordo nuclear imperfeito mas real, ou ratificar pelas armas uma escalada cujos próximos passos ninguém, em Teerã como em Washington, controla mais.
A reter
- Ataques iranianos ao aeroporto da Cidade do Kuwait: 1 morto, vários feridos.
- Bahrein intercepta 3 mísseis e vários drones iranianos na mesma manhã.
- CENTCOM reivindica ataques «defensivos» a sítios iranianos em Goruk e Qeshm.
- Rubio diz-se «otimista» sobre futuras negociações nucleares apesar das tensões.
- Trump deve anunciar na quinta-feira a sua decisão entre acordo e retomada dos ataques.





