Entre as imagens que ficarão desta semana geopolítica agitada: a fumaça negra do terminal de petróleo de São Petersburgo desenrolando-se ao fundo para os fotógrafos e delegados reunidos para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF 2026) — o evento que o Kremlin apresenta há vinte anos como seu equivalente do Fórum de Davos. A Ucrânia atacou com força, precisamente onde Vladimir Putin queria mostrar força e estabilidade.
Mais de 1.000 km percorridos para alcançar a cidade natal do presidente russo
Na noite de 2 para 3 de junho, drones ucranianos de longo alcance percorreram mais de mil quilômetros para chegar à cidade natal de Vladimir Putin. Volodymyr Zelensky reivindicou os ataques ao terminal de petróleo de São Petersburgo — o *Petersburg Oil Terminal* — bem como a uma base naval próxima, danificando um navio de guerra russo. O Ministério da Defesa russo afirma ter interceptado mais de 350 drones em regiões fronteiriças e em profundidade do território.
O SPIEF sob a fumaça: uma humilhação calculada
O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, reconheceu danos em «infraestruturas» nos distritos de Kronstadt, Kirovsky e Krasnoselsky, bem como vários feridos. O aeroporto da cidade fechou temporariamente seu espaço aéreo antes de retomar as operações a meio do dia. O SPIEF, que se realiza de 3 a 6 de junho no centro de exposições ExpoForum, abriu suas portas conforme o programa previsto. Entre os participantes notáveis: a comentarista americana de extrema direita Candace Owens, Rodney Mims Cook Jr. (presidente da US Commission of Fine Arts, nomeado por Donald Trump e primeiro oficial americano no SPIEF desde 2017) e o controverso Andrew Tate.
Putin responde a 5 de junho
Durante seu discurso no SPIEF nesta sexta-feira, Vladimir Putin declarou que a Rússia reforçaria suas defesas aéreas em resposta aos ataques ucranianos, que se aprofundam cada vez mais em território russo. Ele também abordou os desafios econômicos do país — inflação persistente, taxa de juros de dois dígitos, investimentos em declínio — sem convencer os observadores de que Moscou possui uma estratégia de crescimento credível para o pós-guerra. O economista Oleg Vyugin, ex-vice-governador do banco central russo, havia alertado antes do fórum: «O governo não tem essencialmente nada a oferecer para o retorno ao crescimento.»
Zelensky em Paris no domingo
Paralelamente, a França anunciou que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se encontrará no domingo, 7 de junho, com Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer. Esta reunião a quatro assume uma dimensão estratégica particular no contexto dos ataques em profundidade em solo russo: Kiev quer garantir um apoio europeu reforçado, enquanto a ajuda americana permanece suspensa à arbitragem errática da Casa Branca.
A opinião da redação
O «Davos de Putin» sob uma coluna de fumaça negra: difícil imaginar comunicação mais calamitosa para um regime que aposta no prestígio de suas grandes missas econômicas. A Ucrânia visa agora os símbolos tanto quanto as infraestruturas — e esta semana, o símbolo era perfeito. Resta que a guerra, essa, se instala na duração, e que o discurso econômico de Moscou soa tão vazio quanto o céu de São Petersburgo na manhã desta terça-feira.
A reter
- Noite de 2-3 de junho: drones ucranianos sobre o terminal de petróleo de São Petersburgo e uma base naval.
- Mais de 350 drones interceptados pela Rússia; danos confirmados em São Petersburgo.
- SPIEF 2026 (3-6 de junho) aberto apesar de tudo; primeiro oficial americano (R. Mims Cook Jr.) presente desde 2017.
- Putin, 5 de junho: anuncia um reforço das defesas aéreas russas.
- Zelensky deve se encontrar com Macron, Merz e Starmer em Paris no domingo, 7 de junho.
- Economia russa: taxa de juros de dois dígitos, investimentos em declínio, sem estratégia de crescimento legível.





