Sob um céu cinzento típico do litoral do Norte, Laurent Nuñez e a Ministra do Interior britânica Shabana Mahmood assinaram na quinta-feira, 23 de abril de 2026, no início da tarde, nas instalações da polícia de fronteira em Loon-Plage, perto de Dunquerque, um novo acordo franco-britânico apresentado como uma etapa importante da cooperação entre os dois países. O texto prorroga por mais três anos o tratado de Sandhurst assinado em 2018 por Gérard Collomb e Amber Rudd, já renovado uma primeira vez em 2023, e estabelece uma mudança de paradigma: pela primeira vez, uma parte do financiamento britânico será ajustável em função da eficácia das medidas implementadas no território francês.

Um dispositivo reforçado em três eixos

O acordo se desenvolve em três pilares, detalhados durante uma coletiva de imprensa. Primeiro, um componente humano massivo: o efetivo das forças de segurança destacadas no litoral será elevado para cerca de 1.400 agentes até 2029, contra 900 no período 2023-2026, ou seja, um aumento de mais da metade. Em seguida, um componente tecnológico: 20% da verba será destinada a equipamentos (drones, câmeras térmicas, binóculos noturnos, veículos), e 20% para infraestruturas. Por fim, 60% serão dedicados ao reforço do efetivo no terreno. Do lado francês, Laurent Nuñez se pronunciou das dunas de Zuydcoote, a leste de Dunquerque, durante uma coletiva de imprensa dedicada.

Um financiamento "flexível": a grande novidade

A principal inovação reside no mecanismo financeiro. A contribuição britânica passa de 540 milhões de euros para o período 2023-2026 para um máximo de 766 milhões de euros para o período 2026-2029, um aumento de mais de 40%. Mas uma parte inédita de 186 milhões de euros é agora qualificada de "flexível": poderá ser realocada em função das necessidades operacionais e da eficácia dos dispositivos. "Financiaremos o que funciona e adaptaremos nossa ação às evoluções das táticas das redes de passadores, cujo modelo de atividade é muito adaptável", sublinhou a Sra. Mahmood. O Sr. Nuñez especificou que "não haverá cotas que condicionem qualquer financiamento" e que "haverá critérios quantitativos e qualitativos".

O contexto: 2025, o segundo ano mais elevado

A assinatura ocorre em um contexto tenso. Segundo dados oficiais britânicos, 41.472 pessoas chegaram irregularmente ao Reino Unido a bordo de pequenas embarcações em 2025 — o segundo maior número desde o início dessas travessias em 2018. Pelo menos 29 migrantes morreram no mar em 2025, segundo uma contagem da AFP, e seis desde o início de 2026. O Sr. Nuñez, no entanto, destacou uma queda de 56% nas travessias bem-sucedidas desde o início de 2026 em comparação com o mesmo período em 2025, bem como o desmantelamento de 28 redes de passadores em 2025 e 480 prisões.

Os "táxi-barcos", novo desafio operacional

Os passadores mudaram de tática nas últimas semanas. Muitos agora fazem suas embarcações partirem vazias da vizinha Bélgica, onde as praias são menos vigiadas, e depois embarcam seus passageiros diretamente na água na costa francesa — uma técnica batizada de "táxi-barco" que agora representa 80% das tentativas de travessias clandestinas. Sob pressão de Londres, a França adotou no final de 2025 uma nova doutrina para intervir no mar, mas as interceptações de táxi-barcos continuam raras: apenas seis desde o início do ano, segundo Laurent Nuñez, que invoca a necessidade de não colocar vidas humanas em perigo.

Um contexto político tenso em Londres

A poucas semanas de eleições locais consideradas cruciais para sua permanência no poder, o governo trabalhista de Keir Starmer, que prometeu "retomar o controle das fronteiras", está sob pressão do partido de extrema direita Reform UK de Nigel Farage. Médicos sem Fronteiras e a associação Utopia 56 criticaram veementemente o acordo. "Todas essas políticas não impedem as pessoas de buscar refúgio no Reino Unido, mas empurram homens, mulheres e crianças para as mãos de passadores e traficantes e os obrigam a empreender travessias cada vez mais perigosas, às vezes fatais", denunciou a MSF em comunicado.

A opinião da redação

O acordo de Loon-Plage representa um progresso inegável na cooperação operacional franco-britânica, mas ataca os sintomas em vez das causas. Os números falam por si: desde 2018, cada acordo sucessivo foi seguido por um aumento tendencial das travessias, até o recorde de 2025. A razão é simples: enquanto não houver uma via de asilo legal e rápida para os nacionais elegíveis, e enquanto o mercado de trabalho informal britânico permanecer acessível, a demanda continuará a alimentar a oferta dos passadores. Drones e reforços policiais sem dúvida impedirão mais partidas, mas não secarão o fluxo. A verdadeira questão, que nem Paris nem Londres querem ainda colocar publicamente, é a de um mecanismo europeu unificado de recolocação. Sem isso, o Canal da Mancha permanecerá, infelizmente, este cemitério a céu aberto onde a Europa perde um pouco de sua honra a cada semana.

Para lembrar

  • Novo acordo franco-britânico assinado em 23 de abril de 2026 em Loon-Plage por Laurent Nuñez e Shabana Mahmood.
  • Renovação trienal do tratado de Sandhurst (2018), já prorrogado em 2023.
  • Efetivo elevado para cerca de 1.400 agentes até 2029, contra 900 atualmente.
  • Contribuição britânica em alta para 766 milhões de euros em 3 anos (vs 540 milhões de euros), dos quais 186 milhões de euros "flexíveis".
  • 41.472 travessias em 2025 (2º recorde histórico); queda de 56% desde o início de 2026.

Fontes: - Boursorama / AFP — Frontière franco-britannique : Londres augmente sa contribution, avec une part flexible, 23 avril 2026 - Le Monde — Nouvel accord franco-britannique pour endiguer les traversées de migrants en Manche, 23 avril 2026 - RFI — France, UK agree to new migrant deal, with funding tied to results, 23 avril 2026 - ICI / France 3 — Migrants : Français et Britanniques scellent un nouvel accord, 23 avril 2026 - Euronews — Traversées de la Manche : la France et le Royaume-Uni reconduisent le traité de Sandhurst, 23 avril 2026