A corporação nuclear russa Rosatom iniciou neste sábado a fase principal da evacuação de seu pessoal da central nuclear de Bushehr, no sul do Irã. No total, 198 funcionários russos — engenheiros, técnicos e pessoal de manutenção — estão sendo repatriados por via terrestre para a Turquia. «Esperamos sinceramente que, dentro de dois a três dias, nossos colegas tenham cruzado a fronteira em segurança e retornado para casa», declarou Alexei Likhatchev, diretor-geral da Rosatom. (Fonte: Xinhua, Reuters)
A evacuação ocorre após o impacto de um projétil nas proximidades do local nuclear, conforme relatado pela Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI). Embora a própria central não tenha sido atingida, os danos às infraestruturas circundantes e a multiplicação dos ataques aéreos na província de Bushehr tornaram a situação de segurança «insustentável» para o pessoal estrangeiro, segundo um responsável da Rosatom sob anonimato. (Fonte: Reuters, Xinhua)
A central de Bushehr, a única central nuclear operacional do Irã, é um reator de água pressurizada VVER-1000 com capacidade de 1.000 megawatts, construída com assistência técnica russa e comissionada em 2011. Seu funcionamento depende inteiramente da experiência russa para manutenção e reabastecimento de combustível. A saída do pessoal da Rosatom significa de facto uma paralisação programada da central a médio prazo. (Fonte: AIEA, Rosatom)
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou sua «profunda preocupação» e lembrou que as instalações nucleares civis são protegidas pelo direito internacional humanitário. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, solicitou acesso imediato ao local para verificar a integridade dos sistemas de segurança. Teerã ainda não respondeu a essa solicitação. (Fonte: AIEA, AFP)
Para os observadores nucleares civis, a evacuação de Bushehr cria um precedente perigoso. «É a primeira vez na história que uma central nuclear operacional é evacuada devido a um conflito armado — com exceção de Zaporizhzhia, na Ucrânia, em 2022», sublinha o físico nuclear François Géré, presidente do Instituto Francês de Análise Estratégica. O paralelo com Zaporizhzhia, cuja situação permanece precária, alimenta os temores de um acidente radiológico. (Fonte: IFAS, Reuters)





