Sem Sinner. Sem Djokovic. Sem Gauff nem Rybakina. Roland-Garros 2026 entra na sua segunda semana como nenhuma edição desde a era Open o fez. Nesta segunda-feira, 1º de junho, as oitavas de final se encerram com dois confrontos de gala — e um choque intergeracional na sessão noturna.
O programa de segunda-feira, 1º de junho, em Roland-Garros
Oitavas de final — 1º de junho de 2026
- Diane Parry (FRA) vs Maja Chwalińska (POL, Q) — Chatrier.
- Félix Auger-Aliassime (CAN) vs seu adversário do dia — Lenglen.
- Aryna Sabalenka (nº 1) vs Naomi Osaka (nº 16) — sessão noturna, Chatrier.
Uma chave devastada como nenhuma outra desde 1968
A estatística resume tudo. Segundo a Opta, é a primeira vez na história do Grand Slam desde a criação do ranking ATP em 1973: seis jogadores fora do Top 50 mundial alcançaram as oitavas de final em Roland-Garros 2026. Os grandes cabeças de chave caíram um após o outro durante a primeira semana, em uma sequência de resultados que transformou a chave em terra incognita.
No masculino, o balanço é impressionante. Jannik Sinner — número 1 do mundo, 30 vitórias consecutivas — deixou a competição na primeira semana. Novak Djokovic, Daniil Medvedev, Taylor Fritz, Ben Shelton e Alex De Minaur seguiram o mesmo caminho. O caminho para a final masculina está agora aberto para quem ousar acreditar, começando por Alexander Zverev, que está entre os poucos favoritos ainda de pé após sua vitória nas oitavas no domingo.
Pela primeira vez desde o início da era Open em 1968, nenhum ex-vencedor de Grand Slam estará presente nas quartas de final de um Major. A história está sendo escrita em Porte d'Auteuil.
No feminino, a chave não está menos aberta. Coco Gauff, a atual campeã, caiu antes das oitavas. Elena Rybakina, Jessica Pegula e Amanda Anisimova também embalaram suas raquetes. Mas pelo menos duas favoritas de peso permanecem na disputa: a número 1 do mundo Aryna Sabalenka e, até domingo à noite, Kostyuk, que havia criado sensação ao eliminar a tricampeã Iga Świątek.
Sabalenka-Osaka: o duelo que o tênis esperava
É a primeira sessão noturna feminina em Roland-Garros desde 2023. Aryna Sabalenka, número 1 do mundo e máquina de vitórias, enfrenta Naomi Osaka, cabeça de chave nº 16, em um confronto que os organizadores fizeram questão de colocar sob os holofotes da noite. Duas gerações, duas trajetórias radicalmente diferentes.
Sabalenka chega na posição de favorita lógica: ela não perdeu nenhum set na primeira semana, sua potência de golpe no saibro se estabilizou desde seus inícios erráticos nesta superfície, e seu backhand voltou a ser uma arma em vez de uma falha. Osaka, por sua vez, joga com o capital de simpatia de um público parisiense que sempre a mimou — e com a incerteza que seu tênis em reconstrução gera em todas as suas adversárias.
Diane Parry: a França tem sua Joana d'Arc do saibro
Classificada como 92ª do mundo, Diane Parry não era esperada na segunda semana. Mas após sua façanha na rodada anterior — eliminação de Amanda Anisimova — a francesa aborda suas oitavas de final em um Grand Slam com uma mistura de serenidade e inconsciência que lembra as grandes epopeias tricolores em Roland-Garros. À sua frente, a polonesa Maja Chwalińska, vinda das qualificatórias, não lhe opõe uma muralha intransponível.
Paris acompanha. A Chatrier, que recebe à noite Sabalenka-Osaka, verá primeiro Parry-Chwalińska. Um presente de atmosfera que a francesa talvez saiba transformar em combustível.
As finais na mira: 6 e 7 de junho
A final feminina está programada para 6 de junho, e a final masculina para 7 de junho, na quadra Philippe-Chatrier. Com uma chave assim, a edição de 2026 poderá produzir finalistas que ninguém havia colocado em suas previsões no início da semana. A premiação recorde do torneio — 61,7 milhões de euros em 2026 — espera seu vencedor. Seja quem for.
A opinião da redação
Os Grand Slams não gostam do acaso; eles gostam de dinastias. Roland-Garros 2026 faz o inverso, e isso é ótimo. Uma chave aberta é um público que retorna, jogadores que ousam, uma final que se assiste sem saber o fim. Por duas semanas, o saibro parisiense volta a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: um teatro.
Para reter
- Seis jogadores fora do Top 50 nas oitavas: uma primeira desde a instauração do ranking ATP em 1973.
- Primeira sessão noturna feminina desde 2023: Sabalenka (nº 1) vs Osaka (nº 16).
- Diane Parry (92ª) desafia Chwalińska na Chatrier.
- Nenhum ex-vencedor de Grand Slam nas quartas — primeira da era Open.
- Finais: feminina em 6 de junho, masculina em 7 de junho; premiação de 61,7 M€.





