É no alpendre do Salão Oval, às 23h47, horário de Washington, que Donald Trump fez seu anúncio na quinta-feira, 23 de abril de 2026, diante de um punhado de jornalistas selecionados: "Israel e o Líbano acabaram de concordar em uma prorrogação de três semanas da trégua. Isso é bom. É muito bom. E o Líbano vai se proteger do Hezbollah." Algumas horas antes, o presidente americano havia recebido pela segunda vez em quinze dias os embaixadores dos dois países, Yechiel Leiter para Israel e Nada Moawad para o Líbano. O encontro, cuidadosamente coreografado, durou quase duas horas e marca uma nova etapa na mediação americana no Oriente Próximo.

Uma trégua prorrogada até 15 de maio de 2026

O novo acordo agora vai até 15 de maio de 2026, inclusive. Ele prorroga o cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril, após cerca de dez dias de confrontos particularmente mortíferos entre as FDI e o Hezbollah no sul do Líbano. O texto, cuja versão final não foi tornada pública, mantém os principais parâmetros do anterior: retirada progressiva das forças israelenses ao sul do rio Litani, desdobramento reforçado do exército libanês e da FINUL, congelamento dos ataques israelenses em Beirute-Sul e na Bekaa, suspensão de todos os disparos de foguetes ou mísseis a partir do solo libanês. Uma "linha vermelha" específica foi adicionada a pedido americano: nenhuma entrega de armas iranianas por via terrestre através da Síria, sob pena de levantamento imediato da trégua.

Hezbollah desafiador: "uma trégua sem sentido"

A reação do Hezbollah chegou menos de duas horas após o anúncio de Donald Trump. Em um comunicado lido na Al-Manar, a emissora do partido, o porta-voz Mohammad Afif qualificou o acordo como "uma trégua sem conteúdo, sem sentido e assinada sem nós". A milícia lembra que "não foi parte das negociações" e que "se reserva o direito de responder a qualquer violação israelense". Algumas horas depois, dois foguetes foram disparados do sul do Líbano em direção à Galileia — sem vítimas, mas o suficiente para demonstrar que o Hezbollah, apesar do colapso militar dos últimos meses, mantém uma capacidade de perturbação. As FDI responderam com ataques direcionados a três posições ao sul do Litani.

Beirute em equilíbrio instável

Em Beirute, o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam saudaram "um alívio indispensável" que "dá ao Estado libanês o tempo necessário para retomar o controle exclusivo da força armada em todo o território". A fórmula, lapidada, visa frontalmente o Hezbollah sem nomeá-lo. Segundo fontes diplomáticas europeias, o exército libanês já desdobrou quase 8.000 soldados adicionais entre Tiro e o Litani desde o início de abril, financiados em parte por um pacote de emergência francês de 320 milhões de euros anunciado em 14 de abril. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que falava na noite de quinta-feira durante a homenagem nacional ao soldado francês Adrien Pelletier, morto na semana passada no Líbano, saudou "um sinal de esperança, frágil, mas real".

O pano de fundo iraniano

A trégua libano-israelense é inseparável da questão iraniana. O próprio Donald Trump fez a ligação explícita na noite de quinta-feira: "Estou pronto para esperar o melhor acordo com o Irã. O tempo está a nosso favor." Desde o bloqueio naval imposto aos portos iranianos no início de abril, as exportações de petróleo de Teerã caíram mais de 90%, o Rial está em colapso e as ruas começam a protestar contra o alto custo de vida. O presidente americano agora aposta na asfixia econômica para levar Teerã a assinar um acordo nuclear "histórico", muito mais restritivo do que o JCPOA de 2015. O Hezbollah, agora privado da cobertura aérea da República Islâmica, só pode escolher entre a resiliência subterrânea e a marginalização política.

A opinião da redação

A prorrogação anunciada na Casa Branca é menos um acordo de paz do que uma suspensão do conflito. Três semanas não é suficiente para reconstruir um Estado libanês soberano, nem pouco para permitir que a diplomacia americana imponha suas condições a Teerã. Donald Trump joga habilmente com essa temporalidade: ele transforma uma ausência de confronto em vitória pessoal e capitaliza o silêncio relativo do Hezbollah, cuja retaliação retórica disfarça mal o esgotamento material. Mas a janela é estreita. Se a trégua desmoronar por falta de um acordo político com o Irã, o Líbano mergulhará novamente na guerra — e desta vez, sem nenhum amortecedor. A verdadeira questão agora é a do desarmamento efetivo do Hezbollah ao sul do Litani: enquanto não for obtido de forma verificável, cada trégua será apenas um degrau na descida de um conflito que Beirute não escolheu.

Para reter

  • Trégua Israel-Líbano prorrogada por 3 semanas, até 15 de maio de 2026.
  • Acordo obtido na Casa Branca, embaixadores Yechiel Leiter (Israel) e Nada Moawad (Líbano) recebidos por Trump.
  • Hezbollah qualifica a trégua de "sem sentido"; dois foguetes disparados do sul do Líbano.
  • Exército libanês reforçado por 8.000 soldados ao sul do Litani desde o início de abril.
  • Trump liga a trégua à pressão máxima sobre o Irã (bloqueio naval, exportações de petróleo em queda de 90%).

Fontes: - The Times of Israel — Trump declares 3-week truce extension after hosting 2nd round of Israel-Lebanon talks, 24 de abril de 2026 - The Washington Post — Hezbollah defiant in face of Israel-Lebanon ceasefire extension, 24 de abril de 2026 - NPR — Israel-Lebanon ceasefire extended by 3 weeks as tensions rise in Strait of Hormuz, 24 de abril de 2026 - RTÉ — Israel, Lebanon extend ceasefire as Trump seeks Iran deal, 24 de abril de 2026