As conversações históricas entre os Estados Unidos e o Irã terminaram no domingo, 12 de abril de 2026, no início da manhã, sem que nenhum acordo fosse alcançado. Após 21 horas de negociações diretas em Islamabad, Paquistão, o vice-presidente americano JD Vance anunciou o fracasso das discussões, afirmando que a delegação iraniana se recusou a aceitar as condições americanas, nomeadamente o compromisso de não desenvolver armas nucleares. “Os iranianos não quiseram aceitar nossos termos. O presidente Trump e eu fomos claros sobre o que pedíamos”, declarou ele em uma coletiva de imprensa, acompanhado por Jared Kushner e pelo enviado especial Steve Witkoff, segundo a Associated Press.

Dois campos, duas narrativas

A leitura do fracasso diverge radicalmente entre Washington e Teerã. Segundo o Middle East Eye, o Irã afirma que “progressos” teriam sido possíveis se os Estados Unidos tivessem demonstrado “seriedade e boa fé”, e culpa Washington por ter imposto condições prévias inaceitáveis, como o desmantelamento completo do programa nuclear. Por sua vez, os americanos insistem na recusa iraniana a qualquer concessão substancial. O vice-presidente Vance, em contato permanente com Donald Trump durante as 21 horas de negociações, qualificou a posição iraniana de “intransigente”.

O cessar-fogo suspenso

O cerne da questão vai além da mesa de negociações. O frágil cessar-fogo de duas semanas, em vigor desde o final de março, corre o risco de desmoronar sem um acordo-quadro. O Washington Post relata que as duas delegações deixaram o Paquistão sem um cronograma para a retomada das conversações. Os aliados europeus e árabes dos Estados Unidos pedem um rápido retorno à mesa de negociações, temendo uma retomada das hostilidades que poderia afetar todo o Oriente Médio. O Reino Unido, a França e a Alemanha publicaram um comunicado conjunto exortando “todas as partes a manterem o cessar-fogo e a retomarem o diálogo”.

O Estreito de Ormuz, nervo da crise

Paralelamente às negociações, a situação no terreno permanece explosiva. O CENTCOM anunciou no sábado, 11 de abril, o envio de dois destroyers da classe Arleigh Burke através do Estreito de Ormuz para lançar uma operação de desminagem — a primeira travessia de navios de guerra americanos no estreito desde a intensificação das hostilidades. O Irã, pela voz do Corpo da Guarda Revolucionária (CGRI), negou que esta travessia tenha ocorrido, uma contradição que os analistas interpretam como um sinal de tensão extrema. O controle do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, continua sendo o ponto de atrito mais perigoso do conflito.

Fontes: - Associated Press via NPR Illinois — No Deal: U.S.-Iran peace talks in Islamabad collapse, 12 de abril de 2026 - The Washington Post — US and Iranian delegations leave Pakistan after talks end without agreement, 12 de abril de 2026 - Middle East Eye — How talks broke down in Islamabad, with both sides blaming each other, 12 de abril de 2026 - CBS News — U.S. naval destroyers have crossed the Strait of Hormuz, CENTCOM says, 11 de abril de 2026