Os Emirados Árabes Unidos sofreram neste fim de semana uma das salvas mais intensas desde o início do conflito entre a coalizão americano-israelense e o Irã. Segundo o Ministério da Defesa dos EAU, os sistemas de defesa aérea interceptaram doze mísseis balísticos, dois mísseis de cruzeiro e dezenove drones durante o dia 5 de abril, seguidos por nove mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro e cinquenta drones adicionais em 6 de abril. No total, mais de 90% dos projéteis foram neutralizados antes de atingir seus alvos. Quatro pessoas ficaram feridas por queda de destroços. (Fonte: Times of Israel, Gulf News)
A escalada é espetacular. Em 4 de abril, o Irã já havia lançado uma barragem recorde de 79 projéteis — 23 mísseis balísticos e 56 drones — contra os EAU, testando os limites dos sistemas de defesa antimísseis THAAD e Patriot implantados pelos americanos na península arábica. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, treze pessoas foram mortas nos Emirados por ataques iranianos, tornando o país o mais afetado na região depois do próprio Irã e de Israel. As autoridades dos Emirados juntaram-se ao Bahrein para exigir uma ação urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação no Estreito de Ormuz. (Fonte: House of Saud, The National)
Em Dubai Marina, destroços de um míssil interceptado danificaram a fachada de um edifício residencial sem causar vítimas, segundo o The National. Em Abu Dhabi, a zona industrial de Musaffah também foi atingida, causando um ferido leve. As companhias aéreas Emirates e Etihad anunciaram a suspensão temporária de várias ligações regionais, enquanto as escolas de Sharjah e Fujairah permaneceram fechadas na segunda-feira como medida de precaução. O aeroporto internacional de Abu Dhabi interrompeu brevemente as operações antes de retomar o serviço normal no final da manhã. (Fonte: Gulf News, Al Etihad)
O ataque aos EAU pelo Irã é explicado pela posição geográfica do país — localizado em frente ao Estreito de Ormuz — e pela presença de bases militares americanas, notadamente a base aérea de Al Dhafra. Teerã acusa os Emirados de servirem de plataforma logística para a operação militar americano-israelense, o que Abu Dhabi nega categoricamente, apresentando-se como uma vítima colateral do conflito. O embaixador dos Emirados nas Nações Unidas denunciou « uma agressão injustificável contra um Estado soberano » e pediu a criação de um corredor humanitário para as populações civis da costa oriental. (Fonte: Reuters, Al Jazeera)
As consequências econômicas para os Emirados já são mensuráveis. O setor turístico, que representa cerca de 12% do PIB de Dubai, registrou uma queda de 35% nas reservas de hotéis desde o início do conflito. O índice da bolsa de Dubai (DFM) perdeu 18% desde o final de fevereiro. O setor imobiliário, pilar da economia dos Emirados, observa um congelamento das transações nas áreas residenciais próximas aos locais atingidos. As autoridades tentam tranquilizar os investidores internacionais, destacando a eficácia do escudo antimísseis, mas a incerteza geopolítica pesa fortemente sobre a confiança. (Fonte: Bloomberg, Financial Times)





