O mercado mundial do diamante atravessa uma transformação estrutural de uma magnitude sem precedentes. Segundo o último relatório do Gemological Institute of America (GIA), publicado em março de 2026, os diamantes cultivados em laboratório representam agora 22% das vendas mundiais em volume, contra 7% em 2022. Em valor, o segmento atinge 12,4 mil milhões de dólares — um aumento de 38% num ano — impulsionado pelo auge das técnicas CVD (Chemical Vapor Deposition) e HPHT (High Pressure High Temperature) que permitem produzir pedras química, física e opticamente idênticas a diamantes naturais. (Fonte: GIA, Bain & Company)

As grandes casas de joalharia já não resistem à vaga. Após o lançamento de Lightbox pela De Beers em 2018, são agora a Pandora, a Swarovski e várias oficinas da Place Vendôme que integram diamantes sintéticos nas suas coleções. Em janeiro de 2026, a LVMH adquiriu uma participação de 15% na startup americana Diamond Foundry, avaliada em 5,2 mil milhões de dólares, sinalizando uma viragem estratégica para o grupo de luxo. O preço médio do quilate sintético caiu para 900 dólares, contra 4.200 dólares para um diamante natural de qualidade comparável — uma diferença que torna a alta joalharia acessível a uma clientela mais alargada. (Fonte: Financial Times, Bloomberg)

O argumento ético pesa muito nas decisões de compra. Um estudo da McKinsey de fevereiro de 2026 revela que 67% dos compradores de joias da geração Z consideram a origem da pedra como um critério determinante. Os diamantes de laboratório oferecem rastreabilidade completa — cada pedra é inscrita num registo blockchain — e evitam as controvérsias ligadas a zonas de conflito. O Kimberley Process, que deveria garantir a origem ética dos diamantes naturais, é regularmente criticado pelas suas falhas: em 2025, a Global Witness documentou fluxos de pedras provenientes de regiões em guerra transitando por países certificados. (Fonte: McKinsey, Global Witness)

No plano técnico, os avanços recentes desvanecem definitivamente a fronteira entre natural e sintético. Os laboratórios da WD Lab Grown Diamonds anunciaram em março de 2026 a produção de um diamante de 15,32 quilates de qualidade gema — o maior alguma vez cultivado — em apenas seis semanas. Os próprios espectrómetros de última geração têm dificuldade em distinguir as duas categorias sem análise isotópica aprofundada. Para os gemólogos, a era da «superioridade natural» está a chegar ao fim; resta a dimensão simbólica e patrimonial, último reduto dos diamantes de mineração. (Fonte: Nature Materials, WD Lab)

O mercado secundário reflete esta mutação. Os diamantes naturais, há muito considerados como valores refúgio, perdem em média 15% do seu valor de revenda desde 2024, segundo dados da plataforma de leilões Worthy. Os investidores viram-se para os diamantes de cor natural — rosas, azuis, verdes — cuja raridade absoluta os protege da concorrência sintética. Para os diamantes brancos, a mudança parece irreversível: a tecnologia alcançou a natureza, e o consumidor decidiu a favor da relação qualidade-preço e da transparência. (Fonte: Worthy, Rapaport Diamond Report)