Eram cerca de 18 horas, sábado, 25 de abril de 2026, quando um engenho explosivo artesanal fez explodir um veículo de transporte público numa estrada que liga Suárez a Buenos Aires, no departamento montanhoso de Cauca, sudoeste da Colômbia. O balanço, inicialmente estabelecido em seis mortos durante a noite, subiu no domingo, 26 de abril, para 14 falecimentos e 38 feridos, segundo as autoridades de saúde regionais. Vários dos feridos encontram-se em estado crítico, e os hospitais de Popayán, capital do departamento, estão sob pressão. Este é o ataque mais mortífero cometido no país desde o início do ano, e insere-se numa vaga de violência que atinge a Colômbia a pouco mais de um mês das eleições presidenciais de 31 de maio de 2026.

Petro acusa o EMC, dissidência das FARC

O presidente da República, Gustavo Petro, publicou no domingo de manhã na rede social X uma declaração inequívoca: o atentado terá sido perpetrado pelo Estado-Maior Central (EMC), ramo dissidente das FARC que recusou o acordo de paz de 2016 e que controla vários "enclaves" no sudoeste do país. O departamento de Cauca é um dos principais teatros de operações do EMC, dirigido pelo comandante com o pseudónimo de "Iván Mordisco". As forças armadas colombianas realizam há dezoito meses operações de reconquista territorial que se chocam com a resistência armada, a economia da coca e a cumplicidade de parte da população, apanhada entre os grupos armados e um Estado frequentemente ausente.

Uma vaga de ataques sem precedentes

O atentado de sábado não é isolado. Segundo o Ministério da Defesa colombiano, mais de 60 ataques armados foram recenseados em abril de 2026 nos departamentos de Cauca, Nariño, Putumayo e Norte de Santander. Várias esquadras foram alvo, líderes sociais assassinados e operários de infraestruturas públicas raptados. Esta vaga surge enquanto o governo Petro tinha feito do diálogo com os grupos armados — sob o conceito de "Paz Total" — a pedra angular da sua política de segurança. Esta estratégia, vivamente criticada pela direita e pelo centro, parece hoje esgotada: as negociações com o EMC estão congeladas desde novembro de 2025, e o ELN prossegue as suas operações no nordeste do país.

Uma presidencial dominada pela segurança

A pouco mais de um mês do escrutínio de 31 de maio de 2026, o atentado no Cauca pesa fortemente na campanha eleitoral. O país, segundo as últimas sondagens publicadas por Invamer e El Tiempo, coloca agora a segurança como primeira preocupação, à frente da economia e da saúde. Os principais candidatos — a senadora de centro-direita Vicky Dávila, o ex-ministro Sergio Fajardo e o ex-alcalde de Medellín Federico "Fico" Gutiérrez — endureceram o seu discurso, exigindo um regresso a uma lógica militar pura nas zonas de conflito. À esquerda, a candidata continuista Susana Muhamad, ex-ministra do Ambiente, tem dificuldade em impor uma narrativa alternativa num clima polarizado. O próprio presidente Petro, que não poderá candidatar-se novamente, vê o seu balanço de segurança tornar-se um fardo político para o seu campo.

A polémica do aniversário presidencial

O dia de domingo foi marcado por uma polémica anexa: a difusão no X, pela conta oficial @petrogustavo, de uma fotografia de Gustavo Petro a celebrar o seu aniversário rodeado de amigos e membros do governo. O contraste com as imagens das famílias enlutadas do Cauca provocou uma vaga de críticas, em particular nos meios de comunicação de oposição (Semana, El Tiempo) e dentro da própria coligação governamental. A presidência justificou a publicação pelo "direito do presidente a momentos pessoais", mas o dano estava feito: em Bogotá, várias manifestações espontâneas formaram-se no domingo à noite em frente ao palácio Nariño, exigindo explicações sobre a estratégia de segurança.

A opinião da redação

O atentado de Suárez não é apenas um drama adicional na longa história das violências colombianas: é o revelador de um fracasso estratégico. A "Paz Total" de Gustavo Petro, concebida como uma rutura com a lógica militarista de Álvaro Uribe, esbarrou em dois obstáculos — a ausência de monopólio estatal da violência em certos departamentos e a transformação dos grupos armados em empresas criminosas interessadas no status quo. O resultado é paradoxal: um presidente de esquerda, eleito com uma agenda social, termina o seu mandato com uma situação de segurança degradada e uma opinião pública que se torna mais conservadora. A cinco semanas do escrutínio, o risco de uma eleição "por baixo" — ou seja, ditada pelo medo em vez de por um projeto — é real. Para a Colômbia, que tanto apostou no acordo de paz de Havana, é um retrocesso de que bem poderia ter prescindido. Para toda a região andina, é um sinal preocupante.

A reter

  • Atentado à bomba na estrada Suárez–Buenos Aires (Cauca), sábado, 25 de abril de 2026.
  • Balanço no domingo, 26 de abril: 14 mortos, 38 feridos (autoridades de saúde regionais).
  • Gustavo Petro atribui o ataque ao EMC (dissidência das FARC dirigida por "Iván Mordisco").
  • Mais de 60 ataques em abril de 2026 no sudoeste e nordeste colombianos.
  • Eleições presidenciais previstas para 31 de maio de 2026; Petro não reelegível.

Fontes : - Boursorama / AFP — Un attentat à la bombe fait 14 morts en Colombie, 26 avril 2026 - France 24 — Attentat à la bombe en Colombie : le bilan passe à 14 morts et 38 blessés, 26 avril 2026 - Le Parisien — Colombie : 14 morts dans un attentat à la bombe, le président accuse les rebelles dissidents des FARC, 26 avril 2026 - Infobae — Gustavo Petro celebra su cumpleaños y desata polémica en Colombia, 26 avril 2026