Em resumo — O preço médio spot da eletricidade na França subiu cerca de 30% em agosto de 2026, passando de cerca de 95 €/MWh em julho para quase 124 €/MWh, com um pico de 177,34 €/MWh em 18 de agosto, um nível geralmente observado no auge do inverno. A causa: a quinta onda de calor do verão, que reduziu a capacidade disponível do parque nuclear francês devido às restrições de resfriamento dos reatores, enquanto a energia nuclear fornece quase 70% da eletricidade do país.
Uma disparada diretamente ligada ao calor
Desde o início de agosto de 2026, a França atravessa episódios de onda de calor repetidos que afetam diretamente a produção elétrica nacional. O preço médio spot da eletricidade agora está em torno de 124 €/MWh, contra cerca de 95 €/MWh em julho, um aumento de aproximadamente 30% em um mês. O mercado já havia subido 34,3% em um único dia, em 10 de agosto, para 125,99 €/MWh, antes de recuar para 115,13 €/MWh no dia seguinte. O pico foi atingido em 18 de agosto, a 177,34 €/MWh, um recorde em um ano e meio.
A energia nuclear, espinha dorsal do sistema, sob pressão
O parque nuclear garante cerca de 70% da produção elétrica francesa. No entanto, o calor intenso reduziu significativamente sua capacidade disponível, principalmente devido às restrições de resfriamento: quando a temperatura dos cursos d'água utilizados excede certos limites regulatórios, as centrais devem reduzir sua produção, ou mesmo parar temporariamente, a fim de preservar os ecossistemas aquáticos. A isso se somam paradas de manutenção programadas e uma produção eólica muito baixa, por falta de vento.
O revezamento das centrais a gás, mais caras
Para compensar essa perda de capacidade e atender à demanda, especialmente a da Alemanha, as centrais a gás francesas funcionaram mais. Produzir eletricidade a partir de gás custa significativamente mais caro do que a produção nuclear. Resultado: os preços subiram até 144 €/MWh em média na faixa das 19h-22h, contra 94 €/MWh um ano antes no mesmo período — mais de 50% de aumento em um ano para este período de alto consumo noturno.
Por que esse mecanismo se repete a cada verão
Este fenômeno ilustra uma vulnerabilidade estrutural do sistema elétrico europeu: quanto mais os episódios de onda de calor se multiplicam, mais o parque nuclear — embora de baixo carbono — vê sua disponibilidade fragilizada no momento em que o ar condicionado aumenta o consumo. O mercado então precisa recorrer a meios de produção mais flexíveis, mas mais caros e mais poluentes, como o gás, com um duplo efeito: aumento dos preços e aumento temporário das emissões da matriz elétrica.
Quais as consequências para consumidores e empresas?
Para as famílias com tarifa regulada, o impacto direto permanece limitado a curto prazo, pois os preços de atacado não são imediatamente repassados às contas. Para as empresas expostas aos preços de mercado ou cujos contratos são indexados aos preços spot, o aumento, por outro lado, pode se traduzir em um aumento significativo dos custos energéticos, especialmente em indústrias altamente consumidoras de eletricidade. Para o sistema europeu, finalmente, essa tensão reforça o papel das interconexões, com a França exportando historicamente para a Alemanha, cujas necessidades acentuam a pressão sobre a rede francesa em períodos de onda de calor.
Fontes: dados de mercado de eletricidade (preço spot), estimativas setoriais sobre a disponibilidade do parque nuclear francês em agosto de 2026.





