Bernadette Chirac faleceu na noite de sexta-feira, 5 de junho de 2026, aos 93 anos. A ex-Primeira Dama da França, viúva do presidente Jacques Chirac, morreu pacificamente rodeada pela família. Seu falecimento marca o fim de uma era na história política francesa, a da V República, onde o casal presidencial ainda encarnava uma certa ideia de serviço público, feita de duração, discrição e enraizamento local.
Uma trajetória singular na V República
Nascida Bernadette Chodron de Courcel em 18 de maio de 1933 em Paris, ela conheceu Jacques Chirac nos bancos da Sciences Po antes de se casarem em 1956. Por mais de cinquenta anos, ela acompanhou a ascensão política daquele que se tornaria presidente da República em 1995. Mas longe de se restringir ao papel de figura decorativa ao qual o costume há muito tempo havia reduzido as Primeiras Damas, ela construiu uma identidade pública forte e independente.
Ela é a única Primeira Dama da V República a ter exercido um mandato eletivo em nome próprio: conselheira geral de Corrèze por várias décadas, eleita e reeleita no cantão de Corrèze, ela construiu ali uma popularidade enraizada no campo, longe dos salões dourados do Eliseu. Essa legitimidade local, pacientemente construída, permitiu-lhe falar em seu nome, e não apenas como esposa de presidente — uma singularidade cujo alcance institucional permanece subestimado.
Pièces Jaunes: um legado humanitário indissociável de seu nome
Além da política, Bernadette Chirac é principalmente conhecida do grande público por sua ação caritativa. Desde 2001, ela preside a Operação Pièces Jaunes, coleta nacional destinada a melhorar as condições de hospitalização de crianças na França. O cofrinho amarelo dos hospitais, distribuído todo inverno nas escolas e agências dos correios, tornou-se um dos objetos mais identificáveis da filantropia francesa contemporânea.
Ela também assumiu a liderança da Fondation des Hôpitaux de Paris – Hôpitaux de France, cargo que ocupou até seus últimos anos. Sob sua presidência, a Fundação financiou centenas de projetos: reforma de quartos mãe-filho, apoio a adolescentes hospitalizados, acompanhamento do fim da vida. Esse trabalho paciente, pouco espetacular, é sem dúvida a parte mais duradoura de seu legado.
Em sua homenagem, Emmanuel Macron saudou uma “grande dama de coração” que “marcou nossa história” e “mudou tantas vidas com discrição e obstinação”, insistindo em seu engajamento com os doentes anônimos.
De uma figura ridicularizada a uma personalidade respeitada
A trajetória de Bernadette Chirac é também a de uma mulher que soube transformar a imagem que a França tinha dela. Ridicularizada por muito tempo por seu estilo de vestir e sua discrição considerada antiquada — especialmente pelos *Guignols de l'Info*, que a haviam tornado uma personagem recorrente —, ela conquistou progressivamente a opinião pública por sua autenticidade, sua tenacidade e um humor seco que reservava aos seus próximos.
Um filme biográfico foi dedicado a ela em 2023, com Catherine Deneuve no papel principal, testemunhando o lugar que ela ocupa agora na memória coletiva francesa. As memórias que ela havia publicado em vida, longas entrevistas com o jornalista Patrick de Carolis, haviam-se tornado elas mesmas uma referência sobre os bastidores dos dois septênios de Chirac.
Ela falece quase sete anos após Jacques Chirac, falecido em setembro de 2019, e deixa para trás sua filha Claude Chirac, diretora de comunicação do grupo Kering, que também foi uma das conselheiras mais próximas de seu pai no Eliseu.
Uma classe política unânime
As homenagens chegaram de todo o espectro político logo após o anúncio da morte na manhã de sábado. Da esquerda à direita, passando pelo centro, a classe política francesa saúda uma personalidade que soube transcender as divisões partidárias para encarnar uma certa ideia de serviço público discreto e sincero. Cerimônias nacionais devem ser anunciadas nos próximos dias, sem que, no momento em que escrevemos, seu formato preciso tenha sido definido pelo Eliseu.
A reter
- Bernadette Chirac, nascida Chodron de Courcel, faleceu na noite de 5 de junho de 2026, aos 93 anos.
- Viúva de Jacques Chirac, presidente da República de 1995 a 2007.
- Única Primeira Dama da V República a ter exercido um mandato eletivo em nome próprio (conselheira geral de Corrèze).
- Presidente da Operação Pièces Jaunes desde 2001 e da Fondation des Hôpitaux de Paris – Hôpitaux de France.
- Homenagem de Emmanuel Macron saudando uma «grande dama de coração».
- Cerimônias nacionais esperadas nos próximos dias.





